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Tipos de AEH

Embora o angioedema hereditário (AEH) seja caracterizado por crises de inchaços sem coceira, na maioria das vezes, na face, mãos, pés, laringe, genitália e abdome, não se trata de uma doença de um único diagnóstico. Isso porque seus sinais e sintomas de AEH variam de uma pessoa para outra.1

 

Essa variação acontece porque o AEH pode ser causado tanto pela deficiência (pouca quantidade) como pela disfunção (mau funcionamento) do inibidor de C1, uma proteína presente no sangue, relacionada ao nosso sistema imunológico, responsável pelos inchaços em uma crise de angioedema hereditário. Em alguns casos mais raros, essa proteína, chamada inibidor de C1 (ou C1-INH), está em quantidades normais e também não tem nenhuma disfunção, mas as crises de angioedema hereditário também ocorrem.1,2

 

As crises de AEH ocorrem quando a falta ou o mau funcionamento do inibidor de C1 faz com que ocorra um excesso da proteína bradicinina, e esse excesso de bradicinina causa os inchaços ou edemas pelo corpo.3,4

 

Na tentativa de padronizar as diferentes apresentações da doença, especialistas classificaram o AEH em três tipos:1

 

1. AEH com deficiência quantitativa de C1-INH (anteriormente chamado Tipo I)

Tipo mais comum de AEH, está presente em 80-85% dos pacientes e é caracterizado pela deficiência de C1-INH no organismo, com níveis inferiores a 50% dos valores normais.1

 

2. AEH com disfunção de C1-INH (anteriormente chamado de Tipo II)

Presente em 15% dos casos, neste tipo, o paciente com AEH apresenta níveis normais ou elevados de C1-INH, porém com defeito funcional.1,5

 

3. AEH com C1-INH normal (anteriormente chamado de Tipo III)

Mais novo tipo de AEH identificado, é raro e afeta, principalmente, as mulheres. É caracterizado por sintomas clínicos semelhantes ao AEH com deficiência de C1-INH, história familiar positiva, mas com quantidades normais de C1-INH.1,2 Esse tipo de AEH com C1-INH normal tem sido associado a maiores quantidades de estrogênio no organismo, presentes em casos de gravidez ou reposição hormonal, por exemplo, e a mutações no gene que codifica o FXII, o fator diretamente ligado à coagulação do sangue.1

 

Em uma porcentagem significativa de casos, o defeito genético ainda é desconhecido. Por isso, AEH com C1-INH normal foi dividido em dois subtipos:1

 

• AEH com C1-INH normal e mutação de FXII (AEH-FXII).
• AEH com C1-INH normal e defeito genético desconhecido (AEH-U).

 

Cada um desses três tipos de AEH ainda possui características específicas e sintomas que são mais comuns em um do que em outro. Por isso, é necessário um diagnóstico que leve em conta a história clínica do paciente. Esse diagnóstico diferencial é importante para definir estratégias específicas de manejo e o tratamento correto do AEH.4

Referências
1. Pedro Giavina-Bianchi et al. Brazilian guidelines for the diagnosis and treatment of hereditary angioedema. Clinics (Sao Paulo). 2011 Sep; 66(9): 1627–1636.
2. N.T.M.L. Fragnan et al. Hereditary angioedema with C1 inhibitor (C1-INH) deficit: the strength of recognition (51 cases). Braz J Med Biol Res. 2018; 51(12): e7813.
3. Gayatri Patel and Jacqueline A Pongracic. Hereditary and acquired angioedema. Allergy Asthma Proc 2019. Nov 1;40(6):441-445.
4. Levi M, Cohn DM, Zeerleder S. Hereditary angioedema: Linking complement regulation to the coagulation system. Research and Practice in Thrombosis and Haemostasis 2019; 3: 38–43.
5. Konrad Bork et al. Clinical features of genetically characterized types of hereditary angioedema with normal C1 inhibitor: a systematic review of qualitative evidence. Orphanet J Rare Dis. 2020; 15: 289.
C-ANPROM/BR/HAE/0027